abandono de moradores de Gramacho, 3 anos após lixão fechar Ex-catadores sofrem com a falta de emprego e água potável. Famílias, que vivem entre lixo e porcos, continuam sem saneamento básico.

Com olhar cansado, mãos calejadas e apenas 19 anos, Carlos Medeiros Almeida tem um sonho em comum com outras centenas de ex-catadores do antigo aterro sanitário de Gramacho: “O direito de ter direito”. Há três anos, enquanto um caminhão da Comlurb subia a rampa para descarregar a última caçamba dentro dos muros do maior aterro da América Latina – que fica no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense –, cerca de 1,4 mil catadores comemoravam a possibilidade de mudar de vida. 
Moradores e crianças precisam caminhar no meio do lixo. (Foto: Marcos de Paula / G1)Moradores e crianças precisam caminhar
no meio do lixo. (Foto: Marcos de Paula / G1)
No entanto, desde o fechamento oficial do aterro, no dia 3 de junho de 2012, quando diversas autoridades trancaram com um cadeado os portões do lixão, a vida de catadores que continuam vivendo no entorno do local está ainda pior. Sem saneamento básico, moradia e condições dignas de sobrevivência, eles enfrentam agora a dificuldade da falta de trabalho e de água potável para o consumo.
G1 publica a partir desta segunda-feira (1) uma série de reportagens sobre lixões no Estado do Rio
De acordo com a Lei 12.305/10, que determinou o fechamento dos lixões e instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, além do reconhecimento profissional e da capacitação, está prevista a inclusão social dos catadores.

“O rapaz que tem bomba [que capta água de um cano da Cedae nas proximidades do aterro] vende água pra nós a R$ 20 o barril [cerca de 90 litros]. Dá pra quase um mês, porque eu sou sozinho. Eu também tomo banho no trabalho antes de sair [para economizar]”, diz Carlos, que, apesar de não ter recebido nenhum curso de capacitação, conseguiu emprego de auxiliar de serviços gerais em um hospital da Zona Norte do Rio.
Carlos vive num barraco de madeira que conseguiu construir quando ainda era menor de idade e subia a rampa de Gramacho de madrugada para catar material reciclável e madeira. Após o fechamento do lixão, as fábricas de reciclagem que existiam no entorno do aterro também pararam as atividades. Como muitos moradores utilizavam a água dos canos que abasteciam essas empresas, ficaram sem água potável para o consumo.

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